Vamos minerar...

Publicado por thiago.arrais, 14.11.07

Você tem garimpado ultimamente?

Não, apesar de não ser uma idéia ruim para garantir uma graninha extra, esse texto não é sobre gente que procura ouro nas impurezas no leito de um rio nem sobre minas de diamante. O garimpo de que estamos falando é em busca de algo que é tão valioso quanto ouro e é muito mais fácil de conseguir, mas que é muito mais difícil de guardar: conhecimento.

Conhecimento não pode ser depositado num cofre de banco nem esquecido no fundo de uma gaveta junto com alguns papéis velhos. Assim que se tenta fazer isso, ele começa a se desmanchar. Ele não pode ser guardado e recuperado facilmente depois de um tempo, precisa estar em constante evolução. Precisamos sempre ter certeza de que nosso conhecimento está evoluindo, porque se não estiver, estará diminuindo. Funciona mais ou menos como uma motocicleta: quando está indo em frente, está tudo bem, mas começa a cair no instante que pára. Conhecimento que não é usado e exercitado também começa a se desmanchar, desaparecer. Você lembra das aulas de biologia de quando tinha 13 anos?

Não? Então acho que deu para entender…

Porém, diferentemente dos bens materiais, o conhecimento não precisa ser fisicamente transferido para ser repassado. Se você der um pouco do seu ouro para um amigo, no final terá necessariamente menos ouro do que antes. Mas se você ensinar algo a ele, não deixa de saber nada do que já sabia. Na verdade é bem possível que passe a entender melhor o assunto depois de ter ensinado outra pessoa.

Por isso uma das melhores formas de garantir que o conhecimento não fique parado minguando é distribuí-lo. Quando você ensina outra pessoa, acaba aprendendo mais. Não porque acontece alguma mágica inexplicável, mas porque mais pessoas geram mais idéias e o conhecimento se alimenta de idéias. Quanto maior e mais diversa for a comunidade em torno de um assunto, mais conhecimento é gerado. Isso acaba formando um ciclo de crescimento exponencial: mais pessoas geram mais idéias e mais idéias atraem mais pessoas. Muita gente já aprendeu isso e inventa todo tipo de esquema milaborante para aproveitar este efeito.

O Minerama (este blog que você está lendo agora, se ainda não notou) é uma tentativa egoísta e despudorada de tirar proveito deste ciclo de aprendizado por parte de João Paulo Lins e Thiago Arrais, dois programadores que se encontraram por meio do grupo recife.rb. Este blog é apenas mais um esquema para multiplicar conhecimento. Como diria o famoso médico Dráuzio Varella, “podemos [...] afirmar que escrever é uma forma salutar de ampliar nosso banco de dados.” Por meio da escrita tentamos registrar um pouco do nosso conhecimento para que possamos esquecê-lo temporariamente e permitirmos que um conjunto de informações dê lugar a outro. Além disso, a escrita tem um efeito colateral de facilitar o compartilhamento. Com o tipo de comunicação escrita que vai ser usada aqui não precisamos estar reunidos no mesmo lugar para ensinarmos uns aos outros.

Esta iniciativa não é nada altruísta. Solidariedade não é o objetivo principal aqui, mas simplesmente sabemos que é mais fácil e mais rápido aprender em conjunto do que tentar sozinho. Apesar do blog ter sido criado para proveito próprio, talvez este pequeno púlpito seja interessante para outras pessoas também. Nossa idéia é que compartilhemos aqui um pouco do que aprendermos e que possamos aprender com quem se dispuser a oferecer um pouco de sabedoria. Assim todo mundo vai poder se fartar nesse grande banquete de conhecimento que estamos tentando criar.

O assunto de todos os dias por aqui vai ser Ruby e coisas rúbicas em geral. Para quem não conhece Ruby, poderíamos dizer que é uma linguagem de programação dinâmica, com duck typing e continuar falando por horas. Mas isto não seria mais interessante do que experimentar você mesmo.

Tags: blogs

Comentários

  1. gjofili 12.07.07 / 16PM

    Ok, eu não resisti e fui fazer o 5 “minutes tutorial”... muito interessante! Obrigado.

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